COBERTURA AEROFOTOGRAMÉTRICA

A elaboração do Plano de Vôo representa a primeira etapa técnica no processo de levantamento aerofotogramétrico e sua qualidade pode comprometer todo o restante do desenvolvimento do projeto. O objetivo final do levantamento deve ser considerado na elaboração do plano de vôo. O propósito do levantamento definirá a escala do produto final e anteriormente, a escala nominal das fotografias. Dessa forma, quanto maior for o nível de detalhamento exigido para o mapeamento, maior terá que ser a escala das fotografias. A partir de fotografias com escala nominal de 1:8.000, por exemplo, são elaboradas cartas em escala 1:2.000.
Depois de definida a escala nominal das fotografias deve-se definir o limite da área a ser recoberta e os eixos das faixas de vôo, preferencialmente no sentido Norte-Sul ou Leste-Oeste.

LICENÇA DE AEROLEVANTAMENTO

Para a realização da cobertura aerofotogramétrica é necessária uma autorização do Ministério da Defesa, onde devem ser informados a localização e limite da área a ser levantada. Somente depois da autorização o vôo poderá ser realizado.

REQUISITOS TÉCNICOS

Para que o plano de vôo permita um bom desenvolvimento e garanta a qualidade do projeto, ele deve ser elaborado considerando-se alguns requisitos técnicos que são:

Superposição Longitudinal
A cobertura fotográfica é feita em faixas paralelas de fotografias e, dentro destas faixas, as fotografias são registradas de forma que uma mesma área seja fotografada, no mínimo duas vezes, de perspectivas distintas, buscando com isto se obter a visão estereoscópica de toda a área de interesse a ser mapeada. Para isto bastaria, na teoria, um recobrimento de 50% entre uma foto e outra, mas na prática, esse valor varia tanto para mais quanto para menos, impossibilitando, quando o valor for menor que 50%, os trabalhos de restituição fotogramétrica. Por este motivo, a superposição longitudinal, ou seja, o recobrimento de uma área com fotografias de uma faixa de vôo é calculada geralmente em 60%, dando uma margem de 5% para problemas durante o vôo. Para elaboração de ortofotos esse valor pode subir para 80%.

Superposição Lateral
Entre as faixas paralelas de vôo deve haver um recobrimento de 30% com uma margem de 3% a 5% para mais ou para menos, que é a chamada superposição lateral. Essa superposição é requisitada para proporcionar a ligação entre faixas e evitar lacunas de recobrimento do terreno, as quais, conseqüentemente, não permitiriam unir as faixas com pontos comuns durante os processos seguintes do mapeamento.
Uma superposição longitudinal de 60% e uma superposição lateral de 30% garantem que qualquer ponto do bloco de aerofotos tenha pelo menos duas perspectivas diferentes, ou seja, garante que qualquer ponto seja identificado em pelo menos duas fotografias distintas.

CONDIÇÕES ATMOSFÉRICAS

A execução do vôo não depende somente de fatores técnicos e econômicos. Depende também da condição atmosférica que predomina sobre os outros fatores. Isso porque a cobertura de nuvens impede que as fotografias aéreas possam ser utilizadas para a restituição, ou ortofoto.
Para amenizar os problemas atmosféricos na execução do vôo, devem-se estudar as condições climáticas do local de forma a evitar as épocas de vento e chuvas. Além disso, deve-se tomar cuidado com o horário da tomada das fotografias. Procura-se executar o vôo em horário próximo do meio-dia, para que incidência dos raios solares tenha o mínimo de inclinação em relação á superfície terrestre, evitando o aparecimento de sombras muito grandes que acabam prejudicando a visualização de certos objetos. O intervalo das dez até as quinze horas é ideal para tomada das fotografias.

 
Aeronave utilizada para consecução do vôo.
 
Câmera aerofotogramétrica acoplada à aeronave SENECA II.
 
Exemplo de recobrimento aerofogramétrico.